sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Por que a Volks e a Fiat estão investindo em novos hatches

Volkswagen Polo: segundo entre os hatches mais vendidos na Europa e boas chances de ser líder no Brasil
Renato Maia/Falando de Carros
Volkswagen Polo: segundo entre os hatches mais vendidos na Europa e boas chances de ser líder no Brasil

Todo mundo sabe que a Renault fez uma jogada de mestre ao lançar o pequeno Kwid com perfil de SUV. Mas pouca gente sabe por que a Volks e a Fiat estão investindo em hatches como o Polo e o Argo. Afinal, todo mundo também sabe que o brasileiro abandonou os hatches e só compra SUV, certo? Errado! O mercado de hatches que está indo à míngua é o de médios, que reúne carros como o Ford Focus, o VW Golf e o Chevrolet Cruze. Tanto que a Fiat não quis saber de fazer um substituto exclusivo para o Bravo. Simplesmente pulou fora.


Na verdade, a Fiat e a Volkswagen estão certíssimas em apostar no Polo e no Argo, pois o segmento de hatches pequenos ainda é o que mais vende do Brasil. Ele representa 26,8% do mercado total e tem a dupla Chevrolet Onix/Hyundai HB20 na liderança há mais de dois anos. Somados aos hatches de entrada, formam um grande segmento de hatches compactos que representa 47,8% do mercado brasileiro.
Portanto, a pergunta que devemos fazer não é por que a Volks e a Fiat (e também a Renault, de forma um pouco disfarçada) estão investindo nos hatches compactos. A pergunta correta é: o Polo e o Argo podem ser líderes do mercado brasileiro? Antes de responder a essa questão, vamos a algumas análises.
Fiat Argo: média superior a 4.000 carros vendidos nos dois últimos meses, mas terá de rever o conteúdo de série
Divulgação/Fiat-Chrysler Automóveis
Fiat Argo: média superior a 4.000 carros vendidos nos dois últimos meses, mas terá de rever o conteúdo de série

Na Europa, o segmento de hatches compactos (lá chamado de subcompactos, pois compactos para eles são Golf, Focus & cia) tem o Renault Clio na liderança. No ranking do primeiro semestre deste ano o Clio aparece na liderança com 178.801 vendas. Ele é perseguido muito de perto pelo VW Polo, que vendeu 169.921 unidades. É uma diferença pequena, que segue no mesmo ritmo até o nono colocado, nessa ordem: Ford Fiesta (156.590), Opel Corsa (137.565), Peugeot 208 (130.314), Citroën C3 (114.663), Dacia Sandero (105.206), Toyota Yaris (101.579) e Skoda Fabia (95.427).

Só depois disso a diferença aumenta, com alguns gaps maiores entre os concorrentes, pela ordem: Seat Ibiza (63.579), Hyundai i20 (53.784), Nissan Micra (43.970), Kia Rio (38.909), Fiat Punto (29.417) e Ford Ka (27.096). O mercado europeu é interessante para ser tomado como base porque quase todos esses carros estão presentes no mercado brasileiro, com algumas diferenças: Renault Kwid no lugar do Clio, Chevrolet Onix no lugar do Opel Corsa, Renault Sandero e não Dacia Sandero, Nissan March ao invés do Micra, Hyundai HB20 fazendo as vezes do i20 e Fiat Argo em substituição ao Punto.
Agora, analisando os números do mercado brasileiro, notamos uma distância enorme entre os competidores. Vejamos os números de janeiro a setembro, pela ordem: Chevrolet Onix (134.217), Hyundai HB20 (79.365), Renault Sandero (55.560), VW Fox (34.653), Ford Fiesta (14.141), Fiat Argo (13.163 com apenas dois meses cheios), Nissan March (10.820), Peugeot 208 (8.324) e Citroën C3 (6.174). Poderíamos incluir ainda pelo menos dois carros do ranking de hatches de entrada: Ford Ka (68.256) e Toyota Etios (31.053). O panorama não muda e a conclusão é uma só: vivemos um deserto de carros.
Renault Clio: o mais vendido no mercado europeu de carros compactos, mas no Brasil a marca preferiu o Kwid
Divulgação
Renault Clio: o mais vendido no mercado europeu de carros compactos, mas no Brasil a marca preferiu o Kwid

Por isso, a Volks aposta tudo no novo Polo e a Fiat está certíssima ao investir no Argo. A Toyota já avisou que lançará o Yaris. Tudo isso nos leva a acreditar que a boa vida do Onix e do HB20 pode acabar em breve. Afinal, o Polo chegou com qualidade europeia e preços muito competitivos, em comparação aos rivais do mercado. Por sua vez, o Argo deu à Fiat uma qualidade e bom gosto que não vimos no Mobi, mas talvez alguns ajustes de conteúdo tenham que ser feitos para deixar o carro em pé de igualdade com o Polo. Por exemplo: incluir airbags laterais na lista dos itens de série, pois eles são opcionais até no Argo HGT, topo de linha.

Portanto, além de novos hatches, de alguns SUVs que faltam no mercado e de poucos sedãs pequenos ou médios, não dá para esperar muita coisa do mercado brasileiro. Ora, só cinco categorias de carros dominam quase 93% do mercado, nesse ritmo: 26,8% com hatches pequenos, 47,8% acrescentando os hatches de entrada, 69,4% somando os SUVs, 84,3% incluindo os sedãs pequenos e 92,3% contando também os sedãs médios.

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