sábado, 26 de maio de 2018

Governo vs. caminhoneiros

Do www.flatout.com.br


Leia o texto integral no link a seguir:
https://www.flatout.com.br/governo-vs-caminhoneiros-com-acordo-descumprido-exercito-e-chamado-para-encerrar-paralisacoes/


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Os recentes aumentos no diesel por outro lado, foram apenas o estopim de uma crise que se arrasta há alguns anos. Em 2015 o país viu a primeira grande paralisação dos caminhoneiros, que já reivindicavam preços mais baixos dos combustíveis, reajuste nos preços dos fretes, pedágios mais baratos para caminhões, revisão da lei que regulamentava as horas de descanso compulsório dos caminhoneiros, e aumento no período de carência do programa Procaminhoneiro do BNDES.
O programa Procaminhoneiro, aliás, foi um dos fatores que contribuíram para a atual crise. Da mesma forma que os demais incentivos do governo federal no início desta década, o programa incentivou o mercado de caminhões (chassis, reboques, carretas e cavalos-mecânicos) para autônomos e transportadoras. Isso aumentou a oferta de transportes, mas a realidade (sempre ela) não correspondeu com o crescimento econômico necessário para sustentar o endividamento dos caminhoneiros. Isto é: não houve crescimento proporcional da demanda, o que resultou na queda dos preços do frete enquanto os custos operacionais aumentaram — aumentando também a insatisfação da categoria, que vinha tentando negociar com o governo, sem sucesso, desde o final de 2017.

As consequências

O desabastecimento geral é apenas o primeiro efeito da paralisação — e o que será mais facilmente resolvido. Com a Garantia de Lei e Ordem o governo espera que a normalidade se reestabeleça a partir de segunda-feira, mas ainda haverá uma série de consequências posteriores.
A isenção dos impostos federais sobre o diesel irá custar aproximadamente R$ 14 bilhões até o fim do ano, mas isso não significa que o governo simplesmente deixará de arrecadar este valor. Com o orçamento todo comprometido, o governo será obrigado a arrecadar este valor de outra forma para não cometer o crime de responsabilidade fiscal. Assim, haverá a oneração de 28 setores da economia para garantir que a quantia entre nos cofres públicos. Entre os produtos e serviços que serão onerados estão os pneus, medicamentos, brinquedos e hotéis, que acabarão repassando ao menos parte do aumento de impostos aos consumidores. Teremos aumentos de preços, que, fatalmente, afetam a inflação. Além disso a paralisação da produção industrial afeta a arrecadação de impostos e, de forma mais sutil, o PIB.